WWOOF – Karuna

Esse ano teremos uma série de posts das vivências práticas em sitios e fazendas que iremos realizar e compartilharemos aqui informações sobre essas vivências.

O primeiro local dessa série se iniciou no sitio Karuna, localizado em Itapeva, MG.

O sitio fica em meio a morros verdes que embriagam os sentidos do olhar com pastagens, mata, grandes araucárias, eucaliptos, brumas, céu pintado à esmero durante as manhãs, tardes e noites; e os sentidos da audição, com o canto de diversas espécies de pássaros, vacas, bois, cavalos, cigarras e do vento passando pelas folhas das árvores.

O espaço de cultivo foi idealizado, criado e é guardeado pelo querido Dante Horoiwa que se descobriu um semeador e cultivador há aproximadamente 1 ano.

Os atuais cultivos do sítio são:

  • Alface crespa
  • Rúcula
  • Almeirão
  • Almeirão Roxo
  • Escarola
  • Cebolinha
  • Couve
  • Salsinha
  • Mandioca
  • Batata Doce
  • Taioba
  • Nigauri
  • e algumas plantas alimentícias não convencionais (PANC) que nascem espontâneamente e servem de alimentação da família como: BeldroegaCaruru e até Lírio do Brejo que tem flores com aroma intenso e um sabor muito bom

Durante os cinco dias de vivência, 2 novos canteiros foram implantados e aproximadamente 800 mudas plantadas consorciando: couve, beringela, alface, rúcula e salsinha.

Nesse consórcio,houve a preocupação de se ocupar o espaço do canteiro de forma integral, plantando espécies que se desenvolvem mais rápido (alface, rúcula, salsinha), enquanto as que se desenvolvem mais devagar vão se estruturando e crescendo (couve, beringela), até que no tempo médio de 5 meses, já se colheu as culturas mais rápidas e as mais lentas já estarão ocupando um grande espaço horizontal no canteiro e estarão sendo colhidas.

Além dessa dinamização de espaço, há também a intenção de se plantar espécies que mutuamente se ajudam, como por exemplo, salsinhas com couve (salsinhas atraem joaninhas que se alimentam de pulgões, normalmente encontrados em couves).

 

HugelKultur

Uma outra atividade desenvolvida foi o aproveitamento de galhos e troncos, de uma árvore que caiu no terreno, para a construção de um canteiro elevado utilizando a técnica do HugelKultur.

Para a criação desse canteiro, cavamos um buraco, no formato retangular, e colocamos os galhos da árvore caída, o capim e grama que foram tirados do local por roçadeira, uma camada de terra ou humus e então plantas.

A grande sacada desse canteiro é que além de dar um destino super bacana para a árvore que caiu e estava ocupando uma grande área do terreno, a parte inferior, por ser de galhos e troncos, retém muita umidade, e por isso a necessidade de rega é diminuída ou quase zerada e com o tempo, a madeira vai se decompondo e liberando nutriente para as raízes das plantas.

HugelKultur

Ruas de compostagem dinâmica:

Um outro destino dado aos galhos mais finos da árvore caída foi a utilização deles nas ruas dos canteiros. Essa técnica é bastante utilizanda na agrofloresta.

Nas ruas foram colocados os galhos e depois, cobertos com bastante grama. A ideia principal é permitir que esses materiais sejam, aos poucos, decompostos e liberem nutrientes no local, alimentando e fortalecendo as plantas dos canteiros. Além disso, mantém a umidade no local e protegem o solo.

 

Algumas informações adicionais:

Finalidade Horta: venda e consumo familiar

Tipo: horta agroecológica, pequeno porte

Espécies Cultivadas: aproximadamente 15

Cuidadores: 1

Canal de Venda: Praça da cidade aos domingos

Estadia Junho 2016

Esse ano o frio foi intenso!

Em Itapeva – MG, durante 3 dias geou forte e a horta sofreu.

Várias hortalicas amanheceram congeladas.

Foi necessário cobrir os canteiros com TNT para proteger as hortaliças e evitar que queimassem. Porém, como nem todos os canteiros foram cobertos, algumas hortaliças queimaram.

Plantas que não suportam geadas:

– Alface
– Bananeira
– Berinjela
– Rúcula fica enfraquecida
– Ora-pro-nobis
– Taioba

Plantas que resistem à curtas geadas*
– Almeirão cabeça pão de açúcar
– Almeirão roxo
– Beterraba grande
– Catalonha
– Cebolinha
– Couve clara e crespa (brócolis parece ser mais sensível)
– Confrei
– Nirá
– Peixinho
– Salsinha
– Mudas pequenas de hortaliças como alface, rúcula, salsinha, (beterraba parece não resistir), em canteiro com bastante cobertura de solo (vira uma espécie de proteção);

*acompanhamento feito em 3 dias de geada

 

Reflexões:

A vivência lá foi um mix de experiências práticas externas e internas profundas.

A atemporalidade poderia ser a palavra que mais descreve as sensações e pensamentos que por lá vivenciei. Sai de lá com profundas sensações de reencontros de pessoas e locais, aterramento, interiorização, auto conhecimento e observação.

Além disso, houve um sutil acordar das percepções auditivas internas: a sonoridade musical da água molhando as folhas, o bater de asas dos insetos, o cantar dos pássaros, a sonoridade das cordas, das risadas, do canto, o silencio absoluto do ouvir com a cabeça livre.

Aos que estão lendo este post e se perguntam como e onde podem encontrar sitios ou fazendas para vivenciarem experiências parecidas, leia o post sobre Voluntariados em Fazendas Orgâncias.

Aos Horoiwas, gratidão eterna pelo acolhimento, comidinhas, companhia, conversas e reflexões.